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Há 15 anos, Estados Unidos choca o mundo e vence Portugal na estreia da Copa de 2002

Há 15 anos, Estados Unidos choca o mundo e vence Portugal na estreia da Copa de 2002

Há pouco mais de 15 anos, aconteceu em Suwon, na Coréia do Sul, uma das vitórias mais marcantes dos Estados Unidos em Copas do Mundo. Sem efeito de comparação, foi dado naquele 5 de junho de 2002, o pontapé inicial para uma das mais brilhantes campanhas americanas no principal torneio de seleções mundiais. A vitória por 3 x 2 sobre Portugal ainda é lembrada por muitos.

O placar final não impressiona, afinal foi mínima a diferença de gols daquela vitória, mas choca sim pelo contexto vivido pelas seleções antes de subir ao campo naquela partida de abertura do grupo D, que tinha Portugal, Estados Unidos, Polônia e Coréia do Sul. O 3 x 2 chamou a atenção do mundo para a nova estrela do futebol americano, Landon Donovan, e decretou que dali em diante, mais respeito teria que existir com o soccer.

Colocada como favorita ao título da competição, Portugal chegou a Copa do Mundo de 2002, na Coréia do Sul e Japão, muito badalada por retornar ao mundial após 16 anos com uma seleção cheia de craques. Os portugueses tinham Rui Costa, Pauleta, Sérgio Conceição, Fernando Couto, Nuno Gomes, entre outras estrelas de sua liga nacional. Mas sem dúvidas, o que mais chamava atenção era o meia Luís Figo, eleito melhor jogador do mundo em 2001, e que estava no auge da carreira atuando pelo Real Madrid.

Pelo lado americano, haviam jogadores conhecidos do torcedor e com experiência em copas do mundo disputadas, mas sem badalação. Tudo isso também, pelo fato de os americanos não estarem muito motivados com as últimas disputas internacionais. Na Copa de 1998, os Estados Unidos amargaram a última colocação entre 32 seleções. Nas eliminatórias ficaram atrás de México e Costa Rica. Mesmo assim, os destaques individuais daquele grupo atendiam por Cobi Jones, Brian McBride, Joe-Max Moore, Tony Meola e Claudio Reyna.

Quase todos esses citados jogaram a Copa do Mundo de 1994 em solo americano e viviam um período de transição com a criação da MLS, a vivência do futebol europeu, mas sem muito destaque no cenário mundial. Junto desses experientes jogadores, surgiram nos Estados Unidos atletas capazes de dar um passo a frente na evolução do futebol do país e que já faziam parte da seleção em 2002, eram eles John O’Brian, DaMarcus Beasley e Landon Donovan.

E logo no início de jogo, o choque mundial. O’Brian aproveitou o rebote do goleiro após cobrança de escanteio e marcou o primeiro gol americano da Copa de 2002 logo aos quatro minutos de jogo. Aos 29, a imagem que o mundo viu e refletiu com a vitória americana naquela tarde na Coréia do Sul. Landon Donovan arriscou o cruzamento, a bola desviou em Jorge Costa e morreu dentro do gol. Incrédulo, Donovan nem soube o que fazer para comemorar, levou as mãos a cabeça sem saber o que fazer e com uma reação de espanto abraçou os companheiros para celebrar a vantagem estabelecida.

Sem muito tempo para respirar, McBride marcou o terceiro, de cabeça, aos 36 minutos do primeiro tempo aumentando a vantagem dos americanos em 3 a 0 antes do fim do primeiro tempo. Feito inédito em Copas para eles. Na Copa de 1930, os americanos conseguiram duas vitórias sobre 3 a 0 sobre Paraguai e Bélgica, mas em nenhuma delas o terceiro gol havia sido marcado no primeiro tempo.

Depois de ficar sem chão, os portugueses conseguiram dois gols, um no primeiro tempo ainda e outro no segundo (contra) para diminuir o placar, mas não foi o suficiente para evitar a derrota e colocar em xeque o poder efetivo dos europeus, o favoritismo e até a classificação para a próxima fase.

Para os americanos, foi a certeza de que a evolução de seu futebol estava começando a aparecer e ser exibida ao mundo. O time oscilou um pouco na competição com o empate contra os coreanos e a derrota para a Polônia, o que tornou a vitória sobre os portugueses fundamental para a classificação. Uma nova ordem no futebol americano foi instaurada, de que era possível sim mostrar ao mundo que o soccer poderia dar certo na terra do Tio Sam.

Aquele time ainda eliminou o México nas oitavas de final e só não avançou contra a Alemanha por um erro de arbitragem nas quartas de final, que foi fundamental para a eliminação dos Estados Unidos da competição. O que não foi possível tirar, foi o legado que ficou dessa seleção para as futuras gerações, torcedores e fãs.

Melhores momentos daquela partida:

Foto em Destaque: John Todd – ISIPhotos.com

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